Todo mês de novembro, a conversa sobre consciência negra costuma começar pela data. No Pittaco, escolhemos começar por uma pergunta: o que eu posso aprender com isso?
É uma pergunta simples e é incômoda. Ela tira a gente do lugar de quem já sabe e coloca no lugar de quem escuta. Serve para quem vive o tema na pele e para quem só passou perto dele. Serve também para quem ensina: quem ensina sem aprender só repete o que já está dado.
O que eu posso aprender
Posso aprender com quem chegou antes e abriu caminho, mesmo quando o nome dessa pessoa não aparece nos livros nem nas listas de referência. Posso aprender a ouvir sem corrigir, sem resumir, sem traduzir a experiência do outro para a minha régua. Posso aprender a notar quais padrões eu tomei por universais e quem os definiu. Esse é o centro do meu livro, Quem decide o que é elegante?: aquilo que chamamos de neutro quase sempre tem dono.
E posso aprender a conviver com a pergunta que não fecha. Nem toda resposta cabe em um mês.
O que eu posso ensinar
Ensinar, aqui, não é dar aula de quem sabe tudo. É dividir o que cada um de nós aprendeu na própria área. Posso ensinar a ler a imagem como linguagem: o que uma roupa, uma paleta ou um dress code comunicam, e quem foi autorizado a definir isso. Posso ensinar a fazer comunicação que não apague quem fala. E posso ensinar o que o Portal faz de melhor: abrir espaço para quem atua todos os dias nos territórios da Bahia contar o que sabe.
Um mês inteiro de olhares
Neste Novembro Negro, cada especialista do Portal vai olhar para o tema a partir da sua área: negócios, saúde, imagem, cultura, educação e finanças. Os textos entram na editoria Especial Afro Bahia. Acompanhe aqui e no Instagram @portalpittaco.
E deixo a pergunta para você levar: o que você pode aprender com esse tema? E o que você já sabe o suficiente para ensinar?


